Já fazia dias que seus dias eram os mesmos. Parecia se arrastar num ciclo infinito como se não houvesse mais nada, como se não fosse mais nada. Despediu-se do mesmo funcionário, no mesmo horário, da mesma forma. Seria um robô? A ideia, apesar de ligeiramente convidativa, foi logo abandonada pela realidade da monotonia de sua existência. Eu seria mais interessante, ou pelo menos mais inteligente. Sentou-se em seu acento costumeiro no transporte já tão conhecido. Enquanto olhava o sol se por na janela, se questionava quando ela mesma haveria de se pôr para essa vida. Talvez já fosse noite há muito tempo, só não queria admitir. Certamente, não era nenhum dia ensolarado. Abre porta. O silêncio aterrorizador de sua vida vazia. “Eu amo ficar em casa”, dizia o meme que postou no Facebook. Tantos amigos virtuais. Virtuais. Abriu a geladeira e se lembrou que não teve ânimo de cozinhar no dia anterior, ou no anterior. Quando mesmo tinha cozinhado a última vez? Ah sim, aquele sábado que recebeu a Lia em casa. Abre armário. Também não fiz compras... é seu último pacote de miojo. Mas prefere ele que ter que enfrentar alguém do outro lado da linha, ou da porta. Enquanto o macarrão se desfaz na água fervente desejava ter ela mesmo uma banheira na qual pudesse se desfazer. Miojo sem graça. Como ela. E enquanto isso a TV mostra histórias bem sucedidas de famosos que encontraram o amor. Patético.
"Não sei o que querem de mim essas árvores, essas velhas esquinas, para ficarem tão minhas só de as olhar um momento" (Vida, Mário Quintana)
quinta-feira, 16 de maio de 2019
terça-feira, 29 de maio de 2018
Ode da ressureição
Cansei
Cansei de tentar
De forçar
De subtrair
Pra somar
Rimas pobres e baratas
Deformadas
Versos toscos
E tortos
Deixem ser
Uma hora é necessário deixar que a doença saia
Pra que o sangue limpo corra
Deixem ser
O poeta não tem mesmo compromisso com o belo
Mas com o sensível
E quem disse que sensações
Tem forma e cor fixas?
Deixem ser
Porque assim
Talvez
Seja possível reviver
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
No metrô
A menina olha para o chão
como quem olha para nada
como quem não tem nada a ganhar
nada a perder.
O menino olha para o nada
como quem olha para tudo
como quem tem tudo a fazer
tudo a sonhar.
Tudo e nada se encontram
amor
como quem olha para nada
como quem não tem nada a ganhar
nada a perder.
O menino olha para o nada
como quem olha para tudo
como quem tem tudo a fazer
tudo a sonhar.
Tudo e nada se encontram
amor
domingo, 1 de julho de 2012
Um dia a gente cresce e descobre que não pode mais correr para o colo da mãe sempre que se sentir com medo ou assustado. A gente passa a ter que enfrentar todos os desafios de frente, sem balançar, e isso tem que ser firme, porque pra nós, de certa forma, demonstra quão bom foi o trabalho que a pessoa que mais amamos fez, quão bons alunos fomos. É como se disséssemos: "olha, mãe, olha como eu aprendi bem!" Mas é tão ruim quando a gente num consegue dar três passos sem cair. Parece tão difícil esse negócio de voar e o pânico da altura, do ter-que-bater-asas nos faz esquecer muito do que aprendemos. Odeio me fragilizar. E tenho me fragilizado com frequência. Tanta frequência que já mal me lembro dos meus momentos de força. A imagem que tenho e guardo, são as sucessivas quedas após tentar inutilmente me lançar e bater as asas. Não tenho voado por mais de 3 metros. E a simples consciência disso me faz agir como criança. Não quero ser criança. E eu já cansei de dizer que eu não vou mais chorar.
terça-feira, 27 de março de 2012
Ahó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-ó-yyy...
Esfregue os olhos
Espreguiçe devagar
Encha os pulmões
Estique braços e pernas:
Eu voltei!
Os dois pés no chão
Avançe o corredor
Escove os dentes
Jogue uma água no rosto:
Eu voltei!
Chame as crianças
Passe um café
Coma alguma coisa
Ponha sua melhor roupa:
Eu voltei!
Saia de casa
Saia às ruas
Às avenidas
Saia! Saia!
Eu voltei!
Anuncie nos bares!
Grite nas praças!
Nos terminais de ônibus!
Dentro dos trens!
EU VOLTEI!
Chame os negros e as prostitutas
Chame os emos e os funkeiros
Chame os nerds, os gordos
Os velinhos do rotary club:
EU VOLTEI!
Convoque os comunistas!
Convoque os socialistas!
Os anarquistas e paganistas!
Direita! Esquerda! Centro-avante!!
EU VOLTEEEII!
O navio encosta no cais.
A brisa marítima já não é a mesma de outrora
nem o seu jeito de bagunçar meu cabelo
e a minha alma
Mas ela tem um não sei quê de novo e velho
Meus pés já em terra firme se libertam.
... eu voltei.
Espreguiçe devagar
Encha os pulmões
Estique braços e pernas:
Eu voltei!
Os dois pés no chão
Avançe o corredor
Escove os dentes
Jogue uma água no rosto:
Eu voltei!
Chame as crianças
Passe um café
Coma alguma coisa
Ponha sua melhor roupa:
Eu voltei!
Saia de casa
Saia às ruas
Às avenidas
Saia! Saia!
Eu voltei!
Anuncie nos bares!
Grite nas praças!
Nos terminais de ônibus!
Dentro dos trens!
EU VOLTEI!
Chame os negros e as prostitutas
Chame os emos e os funkeiros
Chame os nerds, os gordos
Os velinhos do rotary club:
EU VOLTEI!
Convoque os comunistas!
Convoque os socialistas!
Os anarquistas e paganistas!
Direita! Esquerda! Centro-avante!!
EU VOLTEEEII!
O navio encosta no cais.
A brisa marítima já não é a mesma de outrora
nem o seu jeito de bagunçar meu cabelo
e a minha alma
Mas ela tem um não sei quê de novo e velho
Meus pés já em terra firme se libertam.
... eu voltei.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Inteligência Infantil
- Por que se chama venezuela?
- Num sei, Lu. Eu sei porque a Bolívia se chama Bolívia.
- Por quê?
- Por causa do Simão Bolivar, o carinha que fez a independência do país.
- O que é independência?
- É quando um país fica livre. Que nem a gente, no Brasil, num tem ninguém que manda na gente.
Segundos de silêncio.
- Mas e a Dilma? Ela num manda na gente?
*****
Esse diálogo realmente ocorreu, entre meu irmãozinho, de 9 anos, e minha irmã, de 16.
- Num sei, Lu. Eu sei porque a Bolívia se chama Bolívia.
- Por quê?
- Por causa do Simão Bolivar, o carinha que fez a independência do país.
- O que é independência?
- É quando um país fica livre. Que nem a gente, no Brasil, num tem ninguém que manda na gente.
Segundos de silêncio.
- Mas e a Dilma? Ela num manda na gente?
*****
Esse diálogo realmente ocorreu, entre meu irmãozinho, de 9 anos, e minha irmã, de 16.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Securidão
Passo os dias na tentativa desse caminho de volta
caminho difícil
complexo
confuso..
Já me parece que ando em círculos a meses.
Anseio sair desse deserto de coisas inertes e inatingíveis.
Cansei de me iludir com oásis.
caminho difícil
complexo
confuso..
Já me parece que ando em círculos a meses.
Anseio sair desse deserto de coisas inertes e inatingíveis.
Cansei de me iludir com oásis.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Complexidade
Pior do que não saber por onde começar
é não começar.
Pior é quando o começo se trata de um retorno
e o retorno fica entre a retomada e o recomeço.
Pior é não ter nada melhor pra escrever
do que essas pesadas palavras pesarosas
como tentativa de retomada
do retorno ao recomeço.
é não começar.
Pior é quando o começo se trata de um retorno
e o retorno fica entre a retomada e o recomeço.
Pior é não ter nada melhor pra escrever
do que essas pesadas palavras pesarosas
como tentativa de retomada
do retorno ao recomeço.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
A rosa
Essa noite sonhei com pétalas
delicadas pétalas vermelhas
que se estendiam como cortina
à minha frente.
Mas não eram pétalas comuns
tão pouco pétala que viessem
de quaisquer rosas vulgares.
Brilhavam
um brilho dourado inexplicável
inexplicavelmente belo
tão intenso
que sentia minha própria face
irradiar o mesmo brilho.
Quando
por impulsão da vontade
de tornar as coisas reais pelo tato
tentei tocá-las,
fugiam,
como repelidas por um imã de mesmo pólo.
E algo lá no fundo me dizia
ainda não é tempo;
em breve,
muito breve,
será.
Acordei com essa pétala
sobre o meu travesseiro
como que pra recordar a promessa
dessa esperança que move
meu peito.
delicadas pétalas vermelhas
que se estendiam como cortina
à minha frente.
Mas não eram pétalas comuns
tão pouco pétala que viessem
de quaisquer rosas vulgares.
Brilhavam
um brilho dourado inexplicável
inexplicavelmente belo
tão intenso
que sentia minha própria face
irradiar o mesmo brilho.
Quando
por impulsão da vontade
de tornar as coisas reais pelo tato
tentei tocá-las,
fugiam,
como repelidas por um imã de mesmo pólo.
E algo lá no fundo me dizia
ainda não é tempo;
em breve,
muito breve,
será.
Acordei com essa pétala
sobre o meu travesseiro
como que pra recordar a promessa
dessa esperança que move
meu peito.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Denúncia
A janela do meu quarto aberta
denuncia o que eu
a muito
negava.
Chamem a polícia,
por favor.
Me levaram
e eu não sei quem
nem o quê
mas algo me falta.
Há um espaço vazio.
Chamem a polícia,
por favor.
Me levaram
algo precioso
que eu não dava valor
até dar por falta.
Chamem a polícia,
pelo amor de Deus.
que o que me levaram
foi o verbo.
denuncia o que eu
a muito
negava.
Chamem a polícia,
por favor.
Me levaram
e eu não sei quem
nem o quê
mas algo me falta.
Há um espaço vazio.
Chamem a polícia,
por favor.
Me levaram
algo precioso
que eu não dava valor
até dar por falta.
Chamem a polícia,
pelo amor de Deus.
que o que me levaram
foi o verbo.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Encontro
Permitiu que seus olhos repousassem sobre o prato remexido por alguns instantes. Uma fração incerta de toda a eternidade. A boca entreaberta cerrava todas as palavras que queria dizer. No meio de todo o burburinho do restaurante, olhou de novo pra ela que aguardava aflita qualquer reação. Sorriu entre os lábios enquanto dava uma última garfada na comida. Última porque seu estômago não aguentava mais aquele odor de pessoas alegres e despreocupadas. Olhou outra vez no relógio enquanto ela lhe falava de coisas supérfulas e dislexas. Interessante seria se ao se despedir ela lhe tivesse convidado pra um café, ou ainda se tivesse tropeçado nos degraus da porta, de maneira que lhe causasse algum prazer. Nenhum. A cidade jazia numa calma morna de luzes acesas por pura conveniência. Mais um sinal fechado. Um cachorro que fuçava o lixo lhe fez pensar que talvez sejamos todos cachorros buscando arduamente algo de produtivo ou aproveitável no outro. Talvez seja um pensamento vítima de toda cultura burguesa que lhe fora imposta por séculos. Mas não por isso menos verdadeiro. Evidente é o fato de que uma pessoa se torna interessante a partir do momento que descobrimos nela algo que nos seja produtivo, um assunto, uma posição, um conflito, ou aproveitável, uma diferença, algo criticável, ou rizível. Caso contrário, a pessoa jaz na completa inexistência. E a indiferença é a pior das mortes.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
momento
O caminho me questiona
a expressão vazia
os olhos perdidos
na lembrança do que
tem que ficar.
Sentimento de ausência
invade tudo o que é vivo
em mim
Só o que me move
é a esperança de te ter
junto de mim
de novo
em breve.
a expressão vazia
os olhos perdidos
na lembrança do que
tem que ficar.
Sentimento de ausência
invade tudo o que é vivo
em mim
Só o que me move
é a esperança de te ter
junto de mim
de novo
em breve.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Primeiro
Ele sentou do lado dela
e resolveu brincar
de fazê-la sorrir.
Recusar foi impossível.
Olhares tímidos
que já guardavam em si
toda a intensidade
do eterno.
Mão sobre outra
como que sem querer.
Coisas essas que se vê
sob o luar,
em meio a chuva.
Construções da noite
sonhadas no dia
realizadas pra sempre.
e resolveu brincar
de fazê-la sorrir.
Recusar foi impossível.
Olhares tímidos
que já guardavam em si
toda a intensidade
do eterno.
Mão sobre outra
como que sem querer.
Coisas essas que se vê
sob o luar,
em meio a chuva.
Construções da noite
sonhadas no dia
realizadas pra sempre.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Desejo
Senta aqui comigo outra vez
preciso que me diga hoje
tudo de novo
o que é mesmo que você sente
ao se ver perto de mim.
Olha nos meus olhos mais uma vez
e me permita entrar aí no seu mundinho
deixa eu conhecer um pouco mais de você
pra saber que realmente tudo é real
pra te sentir mais perto.
Me dê sua mão
pra eu saber que ela ainda fica nervosa
perto de mim
pra saber que não há distância
que quase não há limites.
Hoje eu preciso saber
tudo de novo
não porque desacredite
ou porque me esqueça
mas porque te quero um pouco mais perto
outra vez.
preciso que me diga hoje
tudo de novo
o que é mesmo que você sente
ao se ver perto de mim.
Olha nos meus olhos mais uma vez
e me permita entrar aí no seu mundinho
deixa eu conhecer um pouco mais de você
pra saber que realmente tudo é real
pra te sentir mais perto.
Me dê sua mão
pra eu saber que ela ainda fica nervosa
perto de mim
pra saber que não há distância
que quase não há limites.
Hoje eu preciso saber
tudo de novo
não porque desacredite
ou porque me esqueça
mas porque te quero um pouco mais perto
outra vez.
A tal da insegurança
"No one has to know what you are feeling
Oh, baby, no one but you and me"
Não sei bem de onde me vem essa insegurança, que insiste na ideia de que, talvez, ele não confie tanto em mim. Pode ser ciúmes. Ou, provavelmente, o simples fato de ser eu quem não está bem hoje. Sei que devo calar esse tipo de voz perturbadora aqui dentro. Uma vez que confiança é conquistada, depende de mim. A questão é que ele me completa, de uma forma única e eterna. A questão é que não sei mais pensar minha vida sem ele.Se eu for, racionalmente, parar pra pensar, não há necessidade de qualquer preocupação. Seus olhos dizem a mesma coisa que os meus. Mas é que hoje, especialmente hoje, ela num quer ficar quieta.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Pra você
Talvez não lhe desperte interesse
Assim, essa entrega
mas é tão inevitável
quanto não te perceber em mim
Seja como for
não importa qual seja o fim do caminho
esse nosso
É certo que te carreguarei pra sempre.
[talvez nem tão pra sempre assim]
______
{Poema antigo que achei aqui (de uns 4 mêses atrás), na ocasião não publiquei, mas agora me deu vontade.. porque até que ficou bom, só precisou de uns ajusteszinhos}
[talvez nem tão pra sempre assim]
______
{Poema antigo que achei aqui (de uns 4 mêses atrás), na ocasião não publiquei, mas agora me deu vontade.. porque até que ficou bom, só precisou de uns ajusteszinhos}
Telegrama
Vai, vento, vai
e leva pra ele
esse sorriso que ele num viu
mas que é dele
sorriso que dei
só de pensar nele
Vai, vento, vai
e fala pra ele
que eu estou longe
mas sinto falta dele
que apesar de estar aqui
meu coração está com ele
Vai, vento, leva
toda essa saudade embora
que só o que me resta
agora
é esperar o dia chegar
...e brincar de estar junto outra vez
e leva pra ele
esse sorriso que ele num viu
mas que é dele
sorriso que dei
só de pensar nele
Vai, vento, vai
e fala pra ele
que eu estou longe
mas sinto falta dele
que apesar de estar aqui
meu coração está com ele
Vai, vento, leva
toda essa saudade embora
que só o que me resta
agora
é esperar o dia chegar
...e brincar de estar junto outra vez
domingo, 5 de setembro de 2010
Alumbramento
Momento suspenso
esse
quando a distância entre nós
se ausenta
Te sentir perto
me faz esquecer
qualquer sentido para efêmero
Como pode
assim
enlouquecer meus ponteiros
Me tirar a razão
Me deixar assim
sem argumentos pro resguardo
pro receio
ou qualquer coisa que me mantivesse aquém desse sentimento
Entrega inevitável
frente a seus olhos
que me contaram seu segredo
E a vontade de pra sempre
que se realiza sempre que estamos de mãos dadas
Vira saudade sempre que não está aqui
Só o que consola é saber que
levo seu coração comigo.
esse
quando a distância entre nós
se ausenta
Te sentir perto
me faz esquecer
qualquer sentido para efêmero
Como pode
assim
enlouquecer meus ponteiros
Me tirar a razão
Me deixar assim
sem argumentos pro resguardo
pro receio
ou qualquer coisa que me mantivesse aquém desse sentimento
Entrega inevitável
frente a seus olhos
que me contaram seu segredo
E a vontade de pra sempre
que se realiza sempre que estamos de mãos dadas
Vira saudade sempre que não está aqui
Só o que consola é saber que
levo seu coração comigo.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
I
Agarrou-se ainda uma última vez à coberta. Aquele período do ano já era frio pela manhã. Pensou duas vezes antes de decidir se ia mesmo à faculdade. Aula chata e desnecessária. Poderia ser reposta com a leitura do texto. Além do mais, não teria problemas com falta com aquele professor. Levantou. Como poderia começar um dia com um não? Ou melhor, com uma desistência? Bem da verdade é que já estava atrasada. Saiu sem o café, que tomaria na faculdade mesmo.
Tentava esquecer, mas era difícil. Por que esquecer é sempre tão difícil? Não digo essa dor, que nos faz lembrar a cada nova fisgada, mas a causa em si. Esperar. Não sei esperar. Realmente nunca esperara de fato na vida. Sempre esperou o que não tinha outro jeito e sempre estava de alguma forma em ação. Mas dessa forma, como Deus queria, tão difícil. Quase deixou a lágrima cair não fosse a proximidade do ponto que havia de descer.
Uma hora e quarenta de puro tédio. Isso que é um não de verdade a qualquer proposta de dia. Não sabia como certos professores conseguiam chegar tão longe. O melhor mesmo de dias como esses era o corredor. Sempre encontrava alguém querido, com quem conversava longos ou curtos minutos, mas que enchiam seu dia de um novo ânimo, seu coração de nova esperança.
Nesse dia especificamente encontrou um amigo que não via há muito tempo - porque a faculdade tem essa capacidade de separar duas pessoas de um mesmo curso num mesmo prédio por mêses - o coração lhe fez lembrar da saudade e de como aquele abraço lhe fazia falta. Não trocaram mais do que dez palavras. A aula já tinha começado, vida corrida. Mas teve sua vida reenchida daquele carinho, e a memória daquele abraço tão necessário naquele dia.
Engraçado como ele se afastou. Assim, do nada. E Deus faz esperar, assim, esperar apenas. E, quando o coração está prestes a desabar, Ele manda alguém pra dizer com um gesto pra você persistir.
Tentava esquecer, mas era difícil. Por que esquecer é sempre tão difícil? Não digo essa dor, que nos faz lembrar a cada nova fisgada, mas a causa em si. Esperar. Não sei esperar. Realmente nunca esperara de fato na vida. Sempre esperou o que não tinha outro jeito e sempre estava de alguma forma em ação. Mas dessa forma, como Deus queria, tão difícil. Quase deixou a lágrima cair não fosse a proximidade do ponto que havia de descer.
Uma hora e quarenta de puro tédio. Isso que é um não de verdade a qualquer proposta de dia. Não sabia como certos professores conseguiam chegar tão longe. O melhor mesmo de dias como esses era o corredor. Sempre encontrava alguém querido, com quem conversava longos ou curtos minutos, mas que enchiam seu dia de um novo ânimo, seu coração de nova esperança.
Nesse dia especificamente encontrou um amigo que não via há muito tempo - porque a faculdade tem essa capacidade de separar duas pessoas de um mesmo curso num mesmo prédio por mêses - o coração lhe fez lembrar da saudade e de como aquele abraço lhe fazia falta. Não trocaram mais do que dez palavras. A aula já tinha começado, vida corrida. Mas teve sua vida reenchida daquele carinho, e a memória daquele abraço tão necessário naquele dia.
Engraçado como ele se afastou. Assim, do nada. E Deus faz esperar, assim, esperar apenas. E, quando o coração está prestes a desabar, Ele manda alguém pra dizer com um gesto pra você persistir.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
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