quarta-feira, 6 de julho de 2011

Inteligência Infantil

- Por que se chama venezuela?
- Num sei, Lu. Eu sei porque a Bolívia se chama Bolívia.
- Por quê?
- Por causa do Simão Bolivar, o carinha que fez a independência do país.
- O que é independência?
- É quando um país fica livre. Que nem a gente, no Brasil, num tem ninguém que manda na gente.
Segundos de silêncio.
- Mas e a Dilma? Ela num manda na gente?


*****

Esse diálogo realmente ocorreu, entre meu irmãozinho, de 9 anos, e minha irmã, de 16.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Securidão

Passo os dias na tentativa desse caminho de volta
caminho difícil
complexo
confuso..
Já me parece que ando em círculos a meses.
Anseio sair desse deserto de coisas inertes e inatingíveis.
Cansei de me iludir com oásis.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Complexidade

Pior do que não saber por onde começar
é não começar.
Pior é quando o começo se trata de um retorno
e o retorno fica entre a retomada e o recomeço.
Pior é não ter nada melhor pra escrever
do que essas pesadas palavras pesarosas
como tentativa de retomada
do retorno ao recomeço.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A rosa

Essa noite sonhei com pétalas
delicadas pétalas vermelhas
que se estendiam como cortina
à minha frente.
Mas não eram pétalas comuns
tão pouco pétala que viessem
de quaisquer rosas vulgares.
Brilhavam
um brilho dourado inexplicável
inexplicavelmente belo
tão intenso
que sentia minha própria face
irradiar o mesmo brilho.
Quando
por impulsão da vontade
de tornar as coisas reais pelo tato
tentei tocá-las,
fugiam,
como repelidas por um imã de mesmo pólo.
E algo lá no fundo me dizia
ainda não é tempo;
em breve,
muito breve,
será.
Acordei com essa pétala
sobre o meu travesseiro
como que pra recordar a promessa
dessa esperança que move
meu peito.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Denúncia

A janela do meu quarto aberta
denuncia o que eu
a muito
negava.

Chamem a polícia,
por favor.
Me levaram
e eu não sei quem
nem o quê
mas algo me falta.
Há um espaço vazio.

Chamem a polícia,
por favor.
Me levaram
algo precioso
que eu não dava valor
até dar por falta.

Chamem a polícia,
pelo amor de Deus.
que o que me levaram
foi o verbo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Encontro

Permitiu que seus olhos repousassem sobre o prato remexido por alguns instantes. Uma fração incerta de toda a eternidade. A boca entreaberta cerrava todas as palavras que queria dizer. No meio de todo o burburinho do restaurante, olhou de novo pra ela que aguardava aflita qualquer reação. Sorriu entre os lábios enquanto dava uma última garfada na comida. Última porque seu estômago não aguentava mais aquele odor de pessoas alegres e despreocupadas. Olhou outra vez no relógio enquanto ela lhe falava de coisas supérfulas e dislexas. Interessante seria se ao se despedir ela lhe tivesse convidado pra um café, ou ainda se tivesse tropeçado nos degraus da porta, de maneira que lhe causasse algum prazer. Nenhum. A cidade jazia numa calma morna de luzes acesas por pura conveniência. Mais um sinal fechado. Um cachorro que fuçava o lixo lhe fez pensar que talvez sejamos todos cachorros buscando arduamente algo de produtivo ou aproveitável no outro. Talvez seja um pensamento vítima de toda cultura burguesa que lhe fora imposta por séculos. Mas não por isso menos verdadeiro. Evidente é o fato de que uma pessoa se torna interessante a partir do momento que descobrimos nela algo que nos seja produtivo, um assunto, uma posição, um conflito, ou aproveitável, uma diferença, algo criticável, ou rizível. Caso contrário, a pessoa jaz na completa inexistência. E a indiferença é a pior das mortes.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

momento

O caminho me questiona
a expressão vazia
os olhos perdidos
na lembrança do que
tem que ficar.
Sentimento de ausência
invade tudo o que é vivo
em mim
Só o que me move
é a esperança de te ter
junto de mim
de novo
em breve.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Primeiro

Ele sentou do lado dela
e resolveu brincar
de fazê-la sorrir.
Recusar foi impossível.
Olhares tímidos
que já guardavam em si
toda a intensidade
do eterno.
Mão sobre outra
como que sem querer.
Coisas essas que se vê
sob o luar,
em meio a chuva.
Construções da noite
sonhadas no dia
realizadas pra sempre.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Desejo

Senta aqui comigo outra vez
preciso que me diga hoje
tudo de novo
o que é mesmo que você sente
ao se ver perto de mim.

Olha nos meus olhos mais uma vez
e me permita entrar aí no seu mundinho
deixa eu conhecer um pouco mais de você
pra saber que realmente tudo é real
pra te sentir mais perto.

Me dê sua mão
pra eu saber que ela ainda fica nervosa
perto de mim
pra saber que não há distância
que quase não há limites.

Hoje eu preciso saber
tudo de novo
não porque desacredite
ou porque me esqueça
mas porque te quero um pouco mais perto
outra vez.

A tal da insegurança

"No one has to know what you are feeling
Oh, baby, no one but you and me"

Não sei bem de onde me vem essa insegurança, que insiste na ideia de que, talvez, ele não confie tanto em mim. Pode ser ciúmes. Ou, provavelmente, o simples fato de ser eu quem não está bem hoje. Sei que devo calar esse tipo de voz perturbadora aqui dentro. Uma vez que confiança é conquistada, depende de mim. A questão é que ele me completa, de uma forma única e eterna. A questão é que não sei mais pensar minha vida sem ele.Se eu for, racionalmente, parar pra pensar, não há necessidade de qualquer preocupação. Seus olhos dizem a mesma coisa que os meus. Mas é que hoje, especialmente hoje, ela num quer ficar quieta.