sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Toda aquela coisa de garfos tilintando. E risadas. E goles enormes. E pratos. E facas roçando no fundo do prato. Bocas mastigando. Estavam na verdade deixando-a enjoada. Estômago queima. Olhos lacrimejam. O banheiro mais próximo ficava perto da escada, mas teria que atravessar toda a sala. Isso seria tão...deselegante. Quando ela saiu correndo ninguém entendeu nada. Mas, talvez o vinho lhes tivesse ajudado a achar coisas mais interessantes a fazer. Só o namorado foi correndo atrás ver o que tinha acontecido. Bem é verdade que esse correndo estava já debilitado. Quando conseguiu chegar já a encontrou lavando o rosto. Vermelha.
- Eu acho que o vinho italiano não te fez bem.
- É pode ser.
- Acostumada com aqueles vinhos de garrafa plástica...
Rápido acesso ao vaso sanitário. O cheiro dele estava tão forte. Não tinha bebido. Não queria correr o risco de dar vexame em seu primeiro jantar com a família Seixas. Sempre foi tão fraca. Novamente na pia. O barulho da água correndo dava uma espécie estranha de alívio. Lá fora todos tão alegres. Nem notaram que ainda estava ali. O namorado desistiu de conversar. Estava mais interessado em voltar pra mesa e terminar de comer. E beber.
Passou o resto da noite na companhia do cachorro, na varanda. Só a intenção de se levantar e voltar à sala lhe causava náuseas. Preferiu ficar. A noite não era bonita. Sem lua e chuvosa. O cachorro não era seu amigo, cada vez que notava que ela estava olhando-o, tinha um leve sobressalto e rosnava como quem tem preguiça.
-Deve ter sido o camarão.
E continuava com o mesmo olhar parado.

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