Agarrou-se ainda uma última vez à coberta. Aquele período do ano já era frio pela manhã. Pensou duas vezes antes de decidir se ia mesmo à faculdade. Aula chata e desnecessária. Poderia ser reposta com a leitura do texto. Além do mais, não teria problemas com falta com aquele professor. Levantou. Como poderia começar um dia com um não? Ou melhor, com uma desistência? Bem da verdade é que já estava atrasada. Saiu sem o café, que tomaria na faculdade mesmo.
Tentava esquecer, mas era difícil. Por que esquecer é sempre tão difícil? Não digo essa dor, que nos faz lembrar a cada nova fisgada, mas a causa em si. Esperar. Não sei esperar. Realmente nunca esperara de fato na vida. Sempre esperou o que não tinha outro jeito e sempre estava de alguma forma em ação. Mas dessa forma, como Deus queria, tão difícil. Quase deixou a lágrima cair não fosse a proximidade do ponto que havia de descer.
Uma hora e quarenta de puro tédio. Isso que é um não de verdade a qualquer proposta de dia. Não sabia como certos professores conseguiam chegar tão longe. O melhor mesmo de dias como esses era o corredor. Sempre encontrava alguém querido, com quem conversava longos ou curtos minutos, mas que enchiam seu dia de um novo ânimo, seu coração de nova esperança.
Nesse dia especificamente encontrou um amigo que não via há muito tempo - porque a faculdade tem essa capacidade de separar duas pessoas de um mesmo curso num mesmo prédio por mêses - o coração lhe fez lembrar da saudade e de como aquele abraço lhe fazia falta. Não trocaram mais do que dez palavras. A aula já tinha começado, vida corrida. Mas teve sua vida reenchida daquele carinho, e a memória daquele abraço tão necessário naquele dia.
Engraçado como ele se afastou. Assim, do nada. E Deus faz esperar, assim, esperar apenas. E, quando o coração está prestes a desabar, Ele manda alguém pra dizer com um gesto pra você persistir.
"Não sei o que querem de mim essas árvores, essas velhas esquinas, para ficarem tão minhas só de as olhar um momento" (Vida, Mário Quintana)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Mera esquina
A esquina guarda sempre mistérios
extraordinários
Vantagem de quem não se intimida
pelo desconhecido
Foi dobrando uma delas
dessas que Deus (ou a vida, se preferir)
coloca sempre à nossa frente
que descobri o meu mais novo amigo.
extraordinários
Vantagem de quem não se intimida
pelo desconhecido
Foi dobrando uma delas
dessas que Deus (ou a vida, se preferir)
coloca sempre à nossa frente
que descobri o meu mais novo amigo.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Eclesiastes 3
Calada, esforço-me para sufocar todo e qualquer intento da carne
Tão difícil não perguntar o que vem depois.
Espero. Sim, te espero.
Há sempre a passagem
e ela nunca é assim, num pulo.
Queria que fosse,
mas não é.
Necessário esse momento
a transição é sempre tempo de auto-análise,
sempre tão vital ao crescimento.
Afinal, havemos de caminhar, não?
Que seja pra frente, então.
Tão difícil não perguntar o que vem depois.
Espero. Sim, te espero.
Há sempre a passagem
e ela nunca é assim, num pulo.
Queria que fosse,
mas não é.
Necessário esse momento
a transição é sempre tempo de auto-análise,
sempre tão vital ao crescimento.
Afinal, havemos de caminhar, não?
Que seja pra frente, então.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A outra face
Hoje, olhando pro espelho, decidi não precisar de mais ninguém.
Decidi que todas as coisas em minha vida dependem de mim.
E antes de mim dependem de Deus.
Decidi que não vou recorrer a mais ninguém.
Decidi que não vou culpar mais ninguém.
E isso não é deixar de viver intensamente;
é simplesmente viver... buscando menos frustações, decepções e angústias.
Porque uma vez que eu passe a depender apenas de mim,
tudo fica ao meu alcance e eu sei de novo exatamente o que está acontecendo.
E depender, antes e acima de mim, de Deus,
é ter a certeza de que tudo sempre vai se ajeitar.
Decidi assim encarar todas as coisas
sem conjecturas, expectativas ou juízos.
São todos sentimentos que estrangulam a alma.
Decidi. É o que cabia a mim.
Agora conto com a ajuda dEle
pra me lembrar sempre de tudo isso.
Decidi que todas as coisas em minha vida dependem de mim.
E antes de mim dependem de Deus.
Decidi que não vou recorrer a mais ninguém.
Decidi que não vou culpar mais ninguém.
E isso não é deixar de viver intensamente;
é simplesmente viver... buscando menos frustações, decepções e angústias.
Porque uma vez que eu passe a depender apenas de mim,
tudo fica ao meu alcance e eu sei de novo exatamente o que está acontecendo.
E depender, antes e acima de mim, de Deus,
é ter a certeza de que tudo sempre vai se ajeitar.
Decidi assim encarar todas as coisas
sem conjecturas, expectativas ou juízos.
São todos sentimentos que estrangulam a alma.
Decidi. É o que cabia a mim.
Agora conto com a ajuda dEle
pra me lembrar sempre de tudo isso.
domingo, 16 de maio de 2010
Have I hit the bottom?
Todas as minhas forças reunidas no esforço de me sustentar de pé. A cabeça pende. os braços tremem sob a superfície. As pernas dormem. É difícil respirar. É difícil resistir ao choro. Já estou tão cansada. Mas eu preciso, eu preciso não cair, eu preciso aguentar. Dói. Mas eu preciso. Eu tenho que conseguir. Já não tenho mais forças. Movimento de resistência invadido. Os olhos se fecham. Exausta.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Beira de túnel
e ele tinha olhos claros
- mar azul invadido
por negras nuvens -
tempestade o acompanha por anos
e o conduz
todos os dias
para mais perto do esquecimento
...que é a pior morte.
- mar azul invadido
por negras nuvens -
tempestade o acompanha por anos
e o conduz
todos os dias
para mais perto do esquecimento
...que é a pior morte.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Embaixo do pátio do colégio
Enquanto monumento
ele dorme
no silêncio da esquina
do lugar mais movimentado
da cidade grande
Cala toda a sua nobreza
encolhido
e dorme
para não ter que sorrir.
ele dorme
no silêncio da esquina
do lugar mais movimentado
da cidade grande
Cala toda a sua nobreza
encolhido
e dorme
para não ter que sorrir.
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